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  1. ALMEIDA GARRETT
  2. FREI LUIZ DE SOUSA
  3. DRAMA
  4. ESCRIPTORIO DE PUBLICAÇÕES DE FERREIRA DOS SANTOS
  5. PORTO
  6. PESSOAS
  7. MANUEL (FREI LUIZ) DE SOUSA DONA MAGDALENA DE VILHENA DONA MARIA DE NORONHA FREI JORGE-COUTINHO O ROMEIRO TELMO-PAES O PRIOR DE BEMFICA O IRMÃO CONVERSO MIRANDA O ARCEBISPO DE LISBOA DOROTHEA
  8. CÔRO DE FRADES DE SAN'DOMINGOS
  9. ACTO PRIMEIRO
  10. SCENA I
  11. SCENA II
  12. MAGDALENA, TELMO-PAES
  13. SCENA III
  14. MAGDALENA, TELMO, MARIA
  15. SCENA IV
  16. MAGDALENA, MARIA
  17. SCENA V
  18. JORGE, MAGDALENA, MARIA
  19. SCENA VI
  20. JORGE, MAGDALENA, MARIA, MIRANDA
  21. SCENA VII
  22. SCENA VIII
  23. MANUEL DE SOUSA, MAGDALENA
  24. SCENA IX
  25. SCENA X
  26. SCENA XI
  27. SCENA XII
  28. ACTO SEGUNDO
  29. SCENA I
  30. SCENA II
  31. SCENA III
  32. SCENA IV
  33. MARIA, MANUEL DE SOUSA, JORGE
  34. SCENA V
  35. SCENA VI
  36. MANUEL DE SOUSA, MAGDALENA, JORGE
  37. SCENA VII
  38. SCENA VIII
  39. MANUEL DE SOUSA, MAGDALENA, JORGE
  40. SCENA IX
  41. SCENA X
  42. JORGE, MAGDALENA
  43. SCENA XI
  44. MAGDALENA, JORGE, MIRANDA
  45. SCENA XII
  46. MAGDALENA, JORGE
  47. SCENA XIII
  48. SCENA XIV
  49. MAGDALENA, JORGE, ROMEIRO
  50. SCENA XV
  51. ACTO TERCEIRO
  52. SCENA I
  53. SCENA II
  54. JORGE, MANUEL DE SOUSA, TELMO
  55. SCENA III
  56. SCENA IV
  57. SCENA V
  58. SCENA VI
  59. SCENA VII
  60. SCENA VIII
  61. MAGDALENA, MANUEL DE SOUSA, JORGE
  62. SCENA IX
  63. SCENA X
  64. SCENA XI
  65. SCENA XII
  66. FREI LUIZ DE SOUSA
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Frei Luiz de Sousa

João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett

kostenlos · 18.158 Wörter · ~1 Std. Lesezeit

Text von Project Gutenberg

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[Figura: EDUARDO BRAZÃO, interprete principal de «Frei Luiz de Souza»]

ALMEIDA GARRETT

FREI LUIZ DE SOUSA
DRAMA

Representado, a primeira vez, em Lisboa, por uma sociedade particular, no theatro de quinta do Pinheiro em quatro de Julho de MDCCCXLIII

ESCRIPTORIO DE PUBLICAÇÕES DE FERREIRA DOS SANTOS

Rua de Santa Catharina, 231

PORTO

Imprensa Commercial—Rua da Conceição, 29 a 37

PESSOAS

MANUEL (FREI LUIZ) DE SOUSA DONA MAGDALENA DE VILHENA DONA MARIA DE NORONHA FREI JORGE-COUTINHO O ROMEIRO TELMO-PAES O PRIOR DE BEMFICA O IRMÃO CONVERSO MIRANDA O ARCEBISPO DE LISBOA DOROTHEA

CÔRO DE FRADES DE SAN'DOMINGOS

Clerigos do arcebispo, frades, criados, etc.

Logar da scena—Almada.

ACTO PRIMEIRO

Camera antiga, ornada com todo o luxo e caprichosa elegancia portugueza dos principios do seculo dezasette: porcelanas, xarões, sedas, flores, etc. No fundo duas grandes janellas rasgadas, dando para um eirado que olha sôbre o Tejo e de donde se ve toda Lisboa: entre as janellas o retratto, em corpo inteiro, de um cavalleiro môço vestido de preto com a cruz branca de noviço de S. João de Jerusalem.—Defronte e para a bôcca da scena um bufete pequeno coberto de ricco panno de velludo verde franjado de prata; sôbre o bufete alguns livros, obras de tapeçaria meias-feitas, e um vaso da China de collo alto, com flores. Algumas cadeiras antigas, tamboretes razos, contadores. Da direita do espectador, porta de communicação para o interior da casa, outra da esquerda para o exterior.—É no fim da tarde.

SCENA I

MAGDALENA so, sentada junto á banca, os pés sôbre uma grande almofada, um livro aberto no regaço, e as mãos cruzadas sôbre elle, como quem descahiu da leitura na meditação.

*Magdalena*, repettindo machinalmente e de vagar o que acaba de ler.

  «N'aquelle ingano d'alma ledo e cego
  Que a fortuna não deixa durar muito…»

Com paz e alegria d'alma… um ingano, um ingano de poucos instantes que seja… deve de ser a felicidade suprema n'este mundo.—E que importa que o não deixe durar muito a fortuna? Viveu-se, póde-se morrer. Mas eu!… (pausa) Oh! que o não saiba elle ao menos, que não suspeite o estado em que eu vivo… este medo, estes continuos terrores que ainda me não deixaram gozar um so momento de toda a immensa felicidade que me dava o seu amor.—Oh que amor, que felicidade… que desgraça a minha! (Torna a descahir em profunda meditação: silencio breve.)

SCENA II

MAGDALENA, TELMO-PAES

*Telmo*, chegando aopé de Magdalena que o não sentiu entrar. A minha senhora está a ler?…

*Magdalena*, despertando. Ah! sois vós, Telmo… Não, ja não leio: ha pouca luz de dia ja; confundia-me a vista.—E é um bonito livro este! o teu valido, aquelle nosso livro, Telmo.

*Telmo*, deitando-lhe os olhos. Oh, oh! Livro para damas—e para cavalleiros… e para todos: um livro que serve para todos; como não ha outro, tirante o respeito devido ao da Palavra de Deus! Mas esse não tenho eu a consolação de ler, que não sei latim como meu senhor… quero dizer, como o senhor Manuel de Sousa-Coutinho—que lá isso!… acabado escholar é elle. E assim foi seu pae antes d'elle, que muito bem o conheci: grande homem! Muitas lettras e de muito galante prática—e não somenos as outras partes de cavalleiro: uma gravidade!… Ja não ha d'aquella gente.—Mas, minha senhora, isto de a Palavra de Deus estar assim n'outra lingua, n'uma lingua que a gente… que toda a gente não intende!… confesso-vos que aquelle mercador inglez da rua-Nova, que aqui vem ás vezes, tem-me ditto suas cousas que me quadram… E Deus me perdoe! que eu creio que o homem é hereje d'esta seita nova d'Allemanha ou d'Inglaterra. Será?

*Magdalena*. Olhae, Telmo; eu não vos quero dar conselhos: bem sabeis que desde o tempo que… que…

*Telmo*. Que ja lá vai, que era outro tempo.

*Magdalena*. Pois sim… (suspira) Eu era uma criança; pouco maior era que Maria.

*Telmo*. Não, a senhora D. Maria ja é mais alta.

*Magdalena*. É verdade, tem crescido de mais, e derepente n'estes dois mezes ultimos…

*Telmo*. Então! Tem treze annos feitos, é quasi uma senhora, está uma senhora… (áparte) Uma senhora aquella… pobre menina!

*Magdalena*, com as lagrymas nos olhos. Es muito amigo d'ella, Telmo?

*Telmo*. Se sou! Um anjo como aquelle… uma viveza, um espirito!… e então que coração!

*Magdalena*. Filha da minha alma! (pausa:—mudando de tom) Mas olha, meu Telmo, tórno a dizer-t'o: eu não sei como heide fazer para te dar conselhos. Conheci-te de tam criança, de quando casei a… a… a primeira vez—costumei-me a olhar para ti com tal respeito: ja então eras o que hoje es, o escudeiro valido, o familiar quasi parente, o amigo velho e provado de teus amos.

*Telmo*, internecido. Não digaes mais, senhora, não me lembreis de tudo o que eu era.

*Magdalena*, quasi offendida. Porquê? não es hoje o mesmo, ou mais ainda, se é possivel? Quitaram-te alguma coisa da confiança, do respeito—do amor e carinho a que estava costumado o aio fiel de meu senhor D. João de Portugal, que Deus tenha em glória?

*Telmo*, áparte. Terá…

*Magdalena*. O amigo e camarada antigo de seu pae?

*Telmo*. Não, minha senhora, não, por certo.

*Magdalena*. Então?…

*Telmo*. Nada. Continuae, dizei, minha senhora.

*Magdalena*. Pois está bem.—Digo que mal sei dar-vos conselhos, e não queria dar-vos ordens… Mas, meu amigo, tu tomáste—e com muito gôsto meu e de seu pae, um ascendente no espirito de Maria… tal que não ouve, não cre, não sabe senão o que lhe dizes. Quasi que es tu a sua donna, a sua aia de criação.—Parece-me… eu sei… não falles com ella d'esse modo, n'essas coisas…

*Telmo*. O quê? No que me disse o inglez, sôbre a sagrada Escriptura que elles lá teem em sua lingua, e que?…

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Frei Luiz de Sousa von João Batista da Silva Leitão de Almeida Garrett. Der Text ist in den USA gemeinfrei, digitalisiert von den Freiwilligen von Project Gutenberg. Wir liefern ihn aus unserer eigenen Kopie aus.

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