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  1. OS FILHOS DO PADRE ANSELMO
  2. I Os irmãos da mão negra
  3. II Amôr e esperança
  4. III Pae e filha
  5. IV Dois patifes
  6. V Madre Paula
  7. VI Á hora da morte
  8. VII Tres miseraveis
  9. VIII Entre irmãos
  10. IX Amores faceis
  11. X Para os grandes males...
  12. XI João Lazaro
  13. XII Velhos conhecimentos
  14. XIII Denuncia
  15. XIV Miseravel!
  16. XV Conluio infame
  17. XVI O rapto
  18. XVII Quem semeia ventos...
  19. XVIII Revelação
  20. XIX Um velho amigo
  21. XX Alma negra
  22. XXI Tal vida, tal fim
  23. XXII Mysterio
  24. XXIII Allucinação
  25. XXIV Estranho encontro
  26. XXV Pobre Helena!
  27. XXVI Um amigo dos diabos
  28. XXVII Duas amigas
  29. XXVIII Coração morto
  30. XXX Confidencias
  31. XXX Mãe
  32. XXXI O homem dos oculos verdes
  33. Conclusão
  34. FIM
  35. INDICE
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Os filhos do padre Anselmo

António José da Costa Couto Sá de Albergaria

kostenlos · 116.187 Wörter · ~8 Std. Lesezeit

Text von Project Gutenberg

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Nota de editor: Devido à quantidade de erros tipográficos existentes neste texto, foram tomadas várias decisões quanto à versão final. Em caso de dúvida, a grafia foi mantida de acordo com o original. No final deste livro encontrará a lista de erros corrigidos.

Rita Farinha (Fev. 2008)





SÁ D'ALBERGARIA




OS FILHOS DO PADRE ANSELMO


ROMANCE








PORTO LIVRARIA CHARDRON
DE
Lello & Irmão, Editores



1904







Typ. a vapor da Empreza Litteraria e Typographica

178, rua de D. Pedro, 184






OS FILHOS DO PADRE ANSELMO




I

Os irmãos da mão negra

O relogio dos Clerigos tinha acabado de fazer soar pausadamente as doze badaladas da meia noite.

O tempo estava brusco e o vento, soprando da barra em frias e cortantes rajadas, punha arrepios nos transeuntes que, levantadas as golas dos casacos e as mãos mettidas nos bolsos, seguiam a passo apressado, recolhendo a casa, sob a ameaça de um temporal desfeito.

Era em fins do outono.

As arvores do jardim da Cordoaria, varejadas pela ventania asperrima, despiam-se das suas ultimas folhas amarellecidas, n'um agitado e sussurrante protesto de espoliadas.

Quem a essa hora passasse pelo Campo dos Martyres da Patria, veria, encostado a uma das arvores que orlam o jardim, defrontando com a praça do Peixe, um vulto immovel e indifferente ao tempestuoso rugir d'aquella noite agreste e frigidissima.

Parecia esperar alguem, porque, ao ouvir bater a meia noite no relogio da torre, levou a mão ao bolso e, aproximando-se de um dos candieiros da illuminação publica, consultou o seu relogio.

—Aquelle anda adiantado cinco minutos—murmurou.

E deu alguns passos distrahidamente como para illudir a sua impaciencia.

Agora, que o podemos vêr ao reverbero do lampeão, notaremos que é um rapaz de 18 annos, decentemente vestido e de gentil presença, não obstante as feições finas e delicadas quasi lhe desapparecerem encobertas pela aba larga do seu chapéo á Mazzantini.

Tinha apenas dado um curto passeio no prolongamento do jardim, quando do lado da rua do Calvario avançou a trote rasgado um trem, que parou em frente d'elle.

—És tu, Paulo?—disse de dentro uma voz.

—Sou.

—Entra depressa, que a noite está agreste!

E a pessoa que fallava de dentro abriu a portinhola, facilitando-lhe a entrada.

O mancebo saltou de um pulo para dentro do carro, a portinhola fechou-se, e os cavallos seguiram no seu trote largo, dobrando a rua da Restauração e subindo a da Liberdade até ganharem a rua do Rosario.

Sigamos aquelle trem e ouçamos o dialogo que se trava dentro d'elle.

Apenas o mancebo entrou, a pessoa que o chamara e que era um homem de 28 a 30 annos, desceu rapidamente as cortinas do carro e disse para o seu joven companheiro:

—Meu amigo, como já te expliquei, isto são negocios em que se requer a maior circumspecção e escrupulo na observancia das praxes. Has-de consentir que te vende os olhos.

—Acaso desconfias da minha lealdade, Jorge?

—De modo algum. Mas é uma obrigação que o regulamento me impõe, e eu não posso faltar a ella sem trahir o meu dever.

—Pois bem, seja!

O sujeito que ouvimos chamar Jorge tirou então do bolso um lenço e vendou com elle os olhos do companheiro.

—Has-de dar-me a tua palavra de honra que não tentarás arrancar a venda sem que para isso recebas ordem...

—Dou. Mas se o fizesse?

—Poderia isso custar-te a vida, meu caro.

—Apre!—fez o outro, sorrindo—vocês são intransigentes!

—Está n'isso a nossa força. Não violentamos ninguem a seguir-nos, damos ampla liberdade a cada um de rejeitar a nossa associação, mas defendemos a nossa existencia e mantemos o nosso segredo.

—É justo.

—Assim, tu podes, até á hora de prestares o teu juramento, reconsiderar e exigir que te restituam a liberdade. Nenhum mal te acontecerá por isso, a tua vontade será respeitada, a tua independencia mantida. Mas não saberás dizer onde estiveste nem as pessoas com quem fallaste.

—Poderei dizer que fallei comtigo...—gracejou o outro.

—Que importa? Eu não sou uma associação. Comigo póde fallar toda a gente...

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—

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Os filhos do padre Anselmo von António José da Costa Couto Sá de Albergaria. Der Text ist in den USA gemeinfrei, digitalisiert von den Freiwilligen von Project Gutenberg. Wir liefern ihn aus unserer eigenen Kopie aus.

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