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Os Bravos do Mindello

Romance Historico

Faustino da Fonseca

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testo da Project Gutenberg

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(ricomincia)

Lyra da Mocidade (primeiros versos) 1892. Exgotado 1 vol.

Tres mezes no Limoeiro, 1896, 1.a edição com illustrações de Leal da Camara. Exgotado 1 vol.

Segunda edição (popular) 1 vol.

O descobrimento do caminho maritimo para a India 1 vol.

A descoberta da India (Drama historico em 5 actos) 1898 1 vol.

O escandalo dos dramas do concurso do centenario da India, 1898 1 vol.

Regresso ao Lar, romance, 1896, com illustrações de Roque Gameiro (folhetim em O Seculo.)

A descoberta do Brasil, 1900, com illustrações de Roque Gameiro, cartas, mappas, fac-similes de documentos. Exgotado 1 vol.

Pedro Alvares Cabral, 1900 1 vol.

Ignez de Castro romance historico, 1900. 1.a edição com illustrações de D. Virginia da Fonseca, Augusto Pina, Bemvindo Ceia. Exgotado 4 vol.

Segunda edição (popular) com illustrações de Alfredo de Moraes 2 vol.

Escravos, romance, 1901 (folhetim em A Folha do Povo.)

Padeira de Aljubarrota, romance historico, 1901, com illustrações de Bemvindo Ceia 2 vol.

As mulheres portuguêsas na Restauração de Portugal, romance historico, 1902, com illustrações de Roque Gameiro 3 vol.

El-rei D. Miguel (chronica popular do absolutismo) 1905. Illustrado com retratos e monumentos 1 vol.

Os filhos de Ignez de Castro, romance historico, em collaboração com Joaquim Leitão, 1905 1 vol.

Anedoctas de reis, principes e outras personagens portuguêsas e estrangeiras, extrahidas, traduzidas, compiladas e prefaciadas, 1905 1 vol.

Bons ditos de reis, principes e outras personagens portuguêsas e estrangeiras, extrahidas, traduzidas, compiladas e prefaciadas, 1906 1 vol.

Beijos por lagrimas, romance historico. 1906 (folhetim em A Lucta).

FAUSTINO DA FONSECA

OS BRAVOS
DO MINDELLO

ROMANCE HISTORICO

LISBOA

Livraria Editora Viuva Tavares Cardoso
5—Largo de Camões—6
1906

I

Ao tiro de peça acordou João de um inquieto somno de namorado e, apoiando o cotovelo no grande leito de alta cabeceira de tarja, prestou attenção.

Seria salva do castello, ou vinha navio de Lisboa confirmar as aprehensões dos sonhos agitados em que Maria se esquivava sempre ao caloroso enlace dos seus braços, e um subito quebranto o impossibilitava de perseguil-a, e um sobresalto, como que a queda do ideal, interrompia o laborioso despertar da sua estuante virilidade?

Não se repetiram detonações que o tranquilisassem e, no brando rumor cantante e alegre, reconheceu o romper d'alva. Deitou pelos hombros um capote azul de cabeção, e fechos de prata, apagou a candeia de ferro cujo espelho areado reluzia e tirou a tranqueta que especava, desde a cunha ao encaixe da parede, o postigo das pesadas portas de cedro da janella de peitoril.

Pelo pequeno caixilho de minguados vidros azulados percebeu a confusa luz da manhan.

Então destrancou vigorosamente as portadas, retirando o grosso cilindro ao longo da cava da cantaria e, depondo-o contra o poial, puchou para si os dois pesados batentes e debruçou-se com avidez.

—Muito madrugaste hoje—disse-lhe debaixo a tia Pulcheria, ajoujada á celha das lavagens, avental de barras amarellas, ainda com a rede de dormir apanhando os cabellos brancos.

Deu-lhe os bons dias e viu-a, por entre os claros da parreira de Alicante, dirigir-se ao curral onde grunhia o porco alegremente, o focinho bronco farejando por cima da cancella.

—Não ouviu uma peça, tia?

—Ha de ser navio de Lisboa.

Em passo miudinho, muito activa, a arregaçada cheia de milho, acudia ao tumulto da capoeira, onde o gallo repenicava, em desafio com os visinhos, emquanto da pocilga rompia um grunhido satisfeito, misturado ao chapinhar na agua de semeas.

Rompeu no castello o toque da alvorada, o echo vibrante do clarim dando o signal do batalhão, e o terno de cornetas atacou as notas baixas, até se casarem n'um hymno ao triumphal raiar da aurora.

Passavam chocalhos de machos carregados de trigo para os moinhos do Pisão.

Apregoavam leite homens do monte, vindos da Ribeirinha, barba ruiva, pé descalço, vestidos de linho branco alvo de neve, a camisola presa no pescoço por botões de oiro, carapucinha preta com orelhas vermelhas, pequena como a palma da mão, posta á banda n'um elegante equilibrio, batendo o bordão com rendilhados na ponteira; rolhas de pasto no bico negro das cabaças defumadas, com pontos a cordel em fendas, por onde o leite gotejava, aos solavancos do pau posto ao hombro esquerdo.

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Os Bravos do Mindello, di Faustino da Fonseca. Il testo è di pubblico dominio negli Stati Uniti, digitalizzato dai volontari del Project Gutenberg; questa è la nostra copia.

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