Ecco come apparirà la lettura.
Pau brasil
testo da Project Gutenberg
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(ricomincia)
- Do mesmo auctor
- Os condemnados, romance.
- Memorias Sentimentaes de João Miramar.
- Em preparação:
- A estrella de absyntho, romance.
- Seraphim Ponte Grande.
- CANCION
- EIRODEO
- SWALDDE
- ANDRADE
- PREFACI
- ADOPORP
- AULOPRA
- DOILLUM
- INADOPO
- RTARSIL
- A
- 1925
- IMPRESSO PELO “SANS PAREIL”
- DE PARIS
- 37, AVENUE KLÉBER
POESIA PAU BRASIL
A poesia «pau-brasil» é o ovo de Colombo—esse ovo, como dizia um inventor meu amigo, em que ninguem acreditava e acabou enriquecendo o genovez. Oswald de Andrade, numa viagem a Paris, do alto de um atelier da Place Clichy—umbigo do mundo—descobriu, deslumbrado, a sua propria terra. A volta á patria confirmou, no encantamento das descobertas manuelinas, a revelação surprehendente de que o Brasil existia. Esse facto, de que alguns já desconfiavam, abrio seus olhos á visão radiosa de um mundo novo, inexplorado e mysterioso. Estava creada a poesia «pau-brasil».
Já tardava essa tentativa de renovar os modos de expressão e fontes inspiradoras do sentimento poetico brasileiro, ha mais de um seculo soterrado sob o peso livresco das ideas de importação. Um dos aspectos curiosos da vida intellectual do Brasil é esse da litteratura propriamente dita, ter evoluido acompanhando de longe os grandes movimentos da arte e do pensamento europeus, emquanto a poesia se immobilizou no thomismo dos modelos classicos e romanticos, repetindo com enfadonha monotonia, as mesmas rimas, metaphoras, rythmos e allegorias. Veio-lhe sobretudo o retardo no crescimento do mal romantico que, ao nascer da nossa nacionalidades, infeccionou tão profundamente a tudo e a todos. Com a partida para fóra da colonia do lenço de alcobaça e da caixa de rapé de d. João VI, emigraram por largo tempo deste paiz o bom senso terra a terra e a visão clara e burgueza das coisas e dos homens.
Em politica o chamado «grito do Ypiranga» inaugurou a deformação da realidade de que ainda não nos libertamos e nos faz viver num como sonho de que só nos accordará alguma catastrophe bemfeitora. Em litteratura, nenhuma outra influencia poderia ser mais deleteria para o espirito nacional. Desde o apparecimento dos «Suspiros poeticos e Saudades», de Gonçalves de Magalhães, que os nossos poetas e escriptores, até os claros dias de hoje, têm bebido inspirações no craneo humano cheio de bourgogne com que se embebedava Child Harold nas orgias de Newstead. O lyrismo puro, simples e ingenuo, como um canto de passaro, só o exprimiram talvez dois poetas quasi desprezados—um, Casimiro de Abreu, relegado á admiração das melindrosas provincianas e caixeiros apaixonados; outro, Catullo Cearense, trovador sertanejo, que a mania litteraria já envenenou. Foram esses, melancolicos, desalinhados e sinceros, os dois unicos interpretes do rythmo profundo e intimo da Raça, como Ronsard e Musset na França, Mœriken e Uhland na Allemanha, Chaucer e Burns na Inglaterra, e Whitman nos Estados Unidos. Os outros são lusitanos, francezes, hespanhoes, inglezes e allemães, versificando numa lingua extranha que é o portuguez de Portugal, esbanjando talento e mesmo genio num deperdicio lamentavel e nacional.
O verso classico:
está tambem errado. Não só mudaram as idéas inspiradoras da poesia, como tambem os moldes em que ella se encerra. Encaixar na rigidez de um soneto todo o baralhamento da vida moderna é absurdo e ridiculo. Descrever com palavras laboriosamente extrahidas dos classicos portuguezes e desentranhadas dos velhos diccionarios, o pluralismo cinematico de nossa epoca, é um anachronismo chocante, como se encontrassemos num Ford um tricornio sobre uma cabeça empoada, ou num torpedo a alta gravata de um dandy do tempo de Brummel. Outros tempos, outros poetas, outros versos. Como Nietzsche, todos exigimos que nos cantem um canto novo.
A poesia «pau-brasil» é, entre nós, o primeiro esforço organisado para a libertação do verso brasileiro. Na mocidade culta e ardente de nossos dias, já outros iniciaram, com escandalo e successo, a campanha de liberdade e de arte pura e viva, que é a condição indispensavel para a existencia de uma litteratura nacional. Um periodo de construcção creadora succede agora ás lutas da epoca de destruição revolucionaria, das «palavras em liberdade». Nessa evolução e com os caracteristicos de suas individualidades, destacam-se os nomes já consagrados de Ronald de Carvalho, Mario de Andrade e Guilherme de Almeida, não falando nos rapazes do grupo paulista, modesto e heroico.
O manifesto de Oswald, porém, dizendo ao publico o que muitos aqui sabem e praticam, tem o merito de dar uma disciplina ás tentativas esparsas e hesitantes. Poesia «pau-brasil». Designação pitoresca, incisiva e caricatural, como foi a do confettismo e fauvismo para os néo-impressionistas da pintura, ou a do cubismo n’estes ultimos quinze annos. É um epitheto que nasce com todas as promessas de viabilidade.
A mais bella inspiração e a mais fecunda encontra a poesia «pau-brasil» na affirmação desse nacionalismo que deve romper os laços que nos amarram desde o nascimento á velha Europa, decadente e exgotada. Em nossa historia já uma vez surgio esse sentimento aggressivo, nos tempos turbados da revolução de 93, quando «pau-brasil» era o jacobinismo dos Tiradentes de Floriano. Sejamos agora de novo, no cumprimento de uma missão ethnica e protectora, jacobinamente brasileiros. Libertemo-nos das influencias nefastas das velhas civilisações em decadencia. Do novo movimento deve surgir, fixada, a nova lingua brasileira, que será como esse «Amerenglish» que citava o Times referindo-se aos Estados-Unidos. Será a rehabilitação do nosso falar quotidiano, sermo plebeius que o pedantismo dos grammaticos tem querido eliminar da lingua escripta.
Esperemos tambem que a poesia «pau-brasil» extermine de vez um dos grandes males da raça—o mal da eloquencia balofa e roçagante. Nesta epoca apressada de rapidas realisações a tendencia é toda para a expressão rude e núa da sensação e do sentimento, numa sinceridade total e synthetica.
diz a haïkaï japonez, na sua concisão lapidar. Grande dia esse para as lettras brasileiras. Obter, em comprimidos, minutos de poesia. Interromper o balanço das bellas phrases sonoras e ôcas, melopea que nos approxima, na sua primitividade, do canto erotico dos passaros e dos insectos. Fugir tambem do dynamismo retumbante das modos em atrazo que aqui aportam, como o futurismo italiano, doze annos depois do seu apparecimento, decrepitas e tresandando a naphtalina. Nada mais nocivo para a livre expansão do pensamento meramente nacional do que a importação, como novidade, dessas formulas exoticas, que envelhecem e murcham num abrir e fechar de olhos, nos cafés literarios e nos cabarets de Pariz, Roma ou Berlim. Deus nos livre desse snobismo rastacuerico, de todos os «ismos» parasitas das ideas novas, e sobretudo das duas inimigas do verdadeiro sentimento poetico—a Litteratura e a Philosophia. A nova poesia não será nem pintura, nem esculptura, nem romance. Simplesmente poesia com P grande, brotando do solo natal, inconscientemente. Como uma planta.
O manifesto que Oswald de Andrade publica encontrará nos que lêm (essa infima minoria) escarneo, indignação e mais que tudo—incomprehensão. Nada mais natural e mais razoavel: está certo. O grupo que se oppõe a qualquer idéa nova, a qualquer mudança no ramerrão das opiniões correntes é sempre o mesmo: é o que vaiou o Hernani de Victor Hugo, o que condemnou nos tribunaes Flaubert e Baudelaire, é o que pateou Wagner, escarneceu de Mallarmé e injuriou Rimbaud. Foi esse espirito retrogrado que fechou o Salon official aos quadros de Cézanne, para o qual Millerand pede hoje as honras do Panthéon; foi inspirado por elle que se recusou uma praça de Pariz para o Balzac de Rodin. É o grupo dos novos-ricos da Arte, dos empregados publicos da literatura, Academicos de fardão, Genios das provincias, Poetas do «Diário Official». Esses defendem as suas posições, pertencem à maçonaria da Camaradagem, mais fechada que a da politica; agarram-se ás taboas desconjuntadas das suas reputações: são os bonzos dos templos consagrados, os santos das capellinhas litterarias. Outros, são a massa gregaria dos que não comprehendem, na innocencia da sua curteza, ou no afastamento forçado das coisas do espirito. Destes falava Rémy de Gourmont quando se referia a «ceux qui ne comprennent pas». Deixemol-os em paz, no seu contentamento obtuso de pedra bruta, ou de muro de taipa, inabalavel e empoeirado.
Para o glú-glú desses perús de roda, só ha duas respostas: ou a alegre combatividade dos moços, a verve dos enthusiasmos triumphantes, ou para o scepticimo e o aquoibonismo dos já descrentes a cançados o refugio de que falava o mesmo Gourmont, no Silencio das Torres (das Torres de marfim, como se dizia).
Maio, 1924.
Paulo PRADO.
A Blaise Cendrars por occasião da descoberta do Brasil
INDICE
| PAG. | |
| PERO VAZ CAMINHA | 25 |
| GANDAVO | 26 |
| O CAPUCHINHO CLAUDE D’ABBEVILLE | 29 |
| FREI VICENTE DO SALVADOR | 30 |
| FERNÃO DIAS PAES | 32 |
| FREI MANOEL CALADO | 32 |
| J. M. P. S. | 33 |
| PRINCIPE DOM PEDRO | 33 |
INDICE DAS FIGURAS
| PAG. | |
| HISTORIA DO BRASIL | 23 |
| POEMAS DA COLONIZAÇÃO | 35 |
| SÃO MARTINHO | 43 |
| R P 1 | 51 |
| CARNAVAL | 61 |
| SECRETARIO DOS AMANTES | 65 |
| POSTES DA LIGHT | 69 |
| ROTEIRO DAS MINAS | 85 |
| LOYDE BRASILEIRO | 101 |
Falação
O Cabralismo. A civilização dos donatarios. A Querencia e a Exportação.
O Carnaval. O Sertão e a Favella. Pau-Brasil. Barbaro e nosso.
A formação ethnica rica. A riqueza vegetal. O minério. A cosinha. O vatapá, o ouro e a dansa.
Toda a historia da Penetração e a historia commercial da America. Pau-Brasil.
Contra a fatalidade do primeiro branco aportado e dominando diplomaticamente as selvas selvagens. Citando Virgilio para os tupiniquins. O bacharel.
Paiz de dores anonymas. De doutores anonymos. Sociedade de naufragos eruditos.
Donde a nunca exportação de poesia. A poesia emmaranhada na cultura. Nos cipós das metrificações.
Seculo vinte. Um estouro nos aprendimentos. Os homens que sabiam tudo se deformaram como babeis de borracha. Rebentaram de encyclopedismo.
A poesia para os poetas. Alegria da ignorancia que descobre. Pedr’ Alvares.
Uma suggestão de Blaise Cendrars: Tendes as locomotivas cheias, ides partir. Um negro gira a manivella do desvio rotativo em que estaes. O menor descuido vos fará partir na direcção opposta ao vosso destino.
Contra o gabinetismo, a palmilhação dos climas.
A lingua sem archaismos. Sem erudição. Natural e neologica. A contribuição millionaria de todos os erros.
Passara-se do naturalismo á pyogravura domestica e á Kodak excursionista.
Todas as meninas prendadas. Virtuoses de piano de manivella.
As procissões sahiram do bojo das fabricas.
Foi preciso desmanchar. A deformação atravez do impressionismo e do symbolo. O lyrismo em folha. A apresentação dos materiaes.
A coincidencia da primeira construcçâo brasileira no movimento de reconstrucção geral. Poesia Pau Brasil.
Contra a argucia naturalista, a synthese. Contra a copia, a invenção e a surpresa.
Uma perspectiva de outra ordem que a visual. O correspondente do milagre physico em arte. Estrellas fechadas nos negativos photographicos.
E a sábia preguiça solar. A rosa. A energia silenciosa. A hospitalidade.
Barbaros, pictorescose e credulos. Pau-Brasil. A floresta e a escola. A cosinha, o minério e a dansa. A vegetação. Pau Brasil.
ripristino il tuo punto di lettura…
carico il resto…