tale.fyi

Inhalt▾
Inhalt
  1. UMA HOMENAGEM
  2. REPRESALIAS
  3. REPRESALIAS
  4. UM EXGOTTADO
  5. UM EXGOTTADO
  6. CONTO DO NATAL
  7. CONTO DO NATAL
  8. A NETA DA CABOCLA DE OURÉM
  9. A NETA DA CABOCLA DE OURÉM
  10. O BANHO DA TAPUIA
  11. O BANHO DA TAPUIA
  12. COMPLICAÇÕES PSYCHOLOGICAS
  13. COMPLICAÇÕES PSYCHOLOGICAS
  14. UM CASO DA CABANADA
  15. UM CASO DA CABANADA
  16. UM COMO TANTOS
  17. UM COMO TANTOS
  18. INDICE
  19. OPINIÕES DA IMPRENSA
  20. ENTRE AS NYMPHÉAS
  21. Contos e sensações
  22. POR
  23. J. MARQUES DE CARVALHO
  24. Edição-miniatura de Aroldo Moen, de Buenos-Aires
  25. OPINIÕES DA IMPRENSA
Deutsch ▾

Contos do Norte

João Marques de Carvalho

kostenlos · 16.339 Wörter · ~1 Std. Lesezeit

Text von Project Gutenberg

scroll mal ↓weiter ↓

(von vorn beginnen)

DO MESMO AUCTOR
O Sonho do Monarcha Opusculo
Lavas Opusculo
Paulino de Brito Opusculo
Hortencia 1 volume
O Livro de Judith 1 volume
Contos Paraenses 1 volume
Entre as nymphéas 1 volume
A Carteira d'um diplomata (1.ª serie) 1 volume
EM PREPARAÇÃO
Um livro alegre

 

J. Marques de Carvalho

Contos
do Norte

 

 

 

 

Belem do Pará
Editor—Alfredo Augusto Silva—Editor
TYPOGRAPHIA ELZEVIRIANA
1907

 

 

 

 

A JOSÉ MARQUES BRAGA

 

UMA HOMENAGEM

Meu caro Marques Braga,

Este livro é, na quasi totalidade, uma homenagem ao povo paraense. O escriptor que traçou os contos seguintes não occulta o pendor do seu espirito pela vida seminomade dos conterraneos, que tão sobriamente vegetam no coração das florestas. Viajar sempre com elles pelos buliçosos rios amazonicos, extendido no paneiro de popa da embarcação indigena, abertas as velas ao sopro galerno do vivificante marajoara, seria a realisação d'um sonho,—bello sonho de retrocesso á existencia primitiva, se quizerem, mas de intensa consolação moral.

Quando o caboclo, armado do longo varejão por elle mesmo talhado no matto, impelle a canôa para o leito da correnteza, fazendo-se ao largo, não pensem que leva cuidados no espirito ou maguas no coração: a cidade é para elle um agrupamento complexo de sêres transviados, o antro onde formigam incomprehensiveis falsificações da natureza. Elle afasta-se contente com o cigarro ao canto da bôcca, uma jucunda satisfacção nos recessos da alma. Partindo para o sitio, para a roça, o caboclo é o triumphador das selvas, o zombador dos preconceitos, resignado ás inclemencias dos homens,—que as da natureza são-lhe familiares e já insensiveis talvez. E quando, ao meio do rio, desdobra as velas á viração, inunda-se-lhe o cerebro de uma ineffavel volupia, todo o encanto da liberdade dilue-se no seu espirito, deliciosamente infiltrado. Bastam-lhe os horisontes alcançados com o olhar tranquillo. O vapor avistado ao longe, o qual, repleto de passageiros, attinge-o em poucas voltas de helice e o ultrapassa rapidamente,—pensaes acaso que o incommoda ou lhe provoca rebelliões de impotente desespero? O caboclo despreza esses recursos da navegação dos brancos. O que o enthusiasma é justamente a sua canôa, onde foi creado, onde seus filhos vieram á vida e onde á luz do sol paraense fechou os olhos á velha mulher engelhada e querida, que o amammentara com o seu leite maternal. Esse batelzinho, tão fragil e tão veleiro, é o enlevo das suas contemplações de fatalista, tugurio e vehiculo, ganha-pão e leito de amores simples.

Toda a singeleza da vida, com pequenas aspirações e nenhum rancor, ali se condensa entre as pranchas do casco e os pannos das vélas,—mortalha e tumba, em caso de necessidade.

A canôa é o caboclo, chova ou faça sol, cantem nas ramarias da margem as aves da floresta ou regouguem sobre o pequeno mastro as imprecações do temporal: acolhe-os o caboclo com egual socego de alma, a mesma indifferente resignação, que é o symptoma do mais valoroso espirito resistente e da mais acrisolada bondade nativa.

A agua é a grande fascinadora, na Amazonia. Existirão realmente as yaras?

Teu velho amigo,

MARQUES DE CARVALHO.

REPRESALIAS

 

 

REPRESALIAS

Não muito distante de Salinas, a dois passos do mar,—o caboclo Antonio edificara a sua palhoça. A areia das dunas extendia-se-lhe á porta, corria em declive para a agua, formando alaranjado estendal, da côr da madresylva morena.

Mas a floresta, que entestava com a habitação, ensombrava todo o recinto. Galhos seculares espalhavam-se em docel por cima do ubim do tecto. Ali, quando o vento do largo sacudia o arvoredo, em noites de plenílunio, o canto do sabiá tinha modulações saudosissimas, como se fôra cantilena de creanças.

Maré cheia, poucos passos separavam a porta da cabana do logar onde a areia sorvia o rendilhado das escumas. E do copiar do Antonio ouvia-se então perfeitamente o embate do marulho no flanco da canôa atada ao velho poste de acapú, que uma cruz rematava.

*
*     *

Havia muito que ali habitavam Antonio e o filho. Elles proprios tinham construido a casa de sapé, com os recursos encontrados na matta. D'antes, moravam em Salinas, onde o caboclo era pescador e dos mais afreguezados.

Um drama terrivel, porém, induzira-os a deixar a localidade, procurando no silencio e isolamento da costa despovoada o consolo de uma grande dôr commum.

Uma tarde de temporal, a companheira de Antonio tivera a velleidade de tomar banho no oceano. Montanhas de agua corriam do largo, urravam furiosas ao chegar á praia, no desespero com que rebentavam na areia. O ceu todo estava negro, acolchoado de nuvens: coriscos fuzilavam incessantemente e a chuva, levada pela ventania, transformava-se em nevoeiro subtil e frio.

Vizinhos, que tinham visto a mulher encaminhar-se para o mar, perguntaram-lhe se estava louca. Ella, porém, dissera que velhos amigos não brigam.

deine Stelle wird wiederhergestellt…

der Rest wird geladen…

Als Nächstes lesen

  • Robur, o ConquistadorJules Verne
    Dois entusiastas dos balões, dados a discussões, são raptados pelo misterioso engenheiro Robur e levados à volta do mundo a bordo do Albatros, a sua máquina voadora mais pesada do que o ar. É um Verne mais ligeiro, um relato de viagem visto do céu, com um herói espinhoso e arrogante.
  • SóAntónio Pereira Nobre
    António Nobre escreveu estes poemas como estudante solitário em Paris, a sonhar com Coimbra, a praia de Leça e o norte de Portugal da sua infância. Está encharcado de saudade e de autocomiseração, mas a voz é íntima e musical, como uma carta para casa.
  • Triste Fim de Polycarpo QuaresmaLima Barreto
    O major Quaresma ama tanto o Brasil que faz um requerimento para tornar o tupi língua oficial, depois tenta a lavoura e perde para as formigas. Lima Barreto o faz engraçado e digno, e o título já diz para você aonde o patriotismo dele leva.

—

danke fürs Lesen

Contos do Norte von João Marques de Carvalho. Der Text ist in den USA gemeinfrei, digitalisiert von den Freiwilligen von Project Gutenberg. Wir liefern ihn aus unserer eigenen Kopie aus.

tale.fyi