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  1. I
  2. Do titulo.
  3. II
  4. Do livro.
  5. III
  6. A denuncia.
  7. IV
  8. Um dever amarissimo!
  9. V
  10. O aggregado.
  11. VI
  12. Tio Cosme.
  13. VII
  14. D. Gloria.
  15. VIII
  16. É tempo!
  17. IX
  18. A opera.
  19. X
  20. Acceito a theoria.
  21. XI
  22. A promessa.
  23. XII
  24. Na varanda.
  25. XIII
  26. Capitú.
  27. XIV
  28. A inscripção.
  29. XV
  30. Outra voz repentina.
  31. XVI
  32. O administrador interino.
  33. XVII
  34. Os vermes.
  35. XVIII
  36. Um plano.
  37. XIX
  38. Sem falta.
  39. XX
  40. Mil padre-nossos e mil ave-marias.
  41. XXI
  42. Prima Justina.
  43. XXII
  44. Sensações alheias.
  45. XXIII
  46. Prazo dado.
  47. XXIV
  48. De mãe e de servo.
  49. XXV
  50. No Passeio Publico.
  51. XXVI
  52. As leis são bellas.
  53. XXVII
  54. Ao portão.
  55. XXVIII
  56. Na rua.
  57. XXIX
  58. O imperador.
  59. XXX
  60. O Santissimo.
  61. XXXI
  62. As curiosidades de Capitú.
  63. XXXII
  64. Olhos de ressaca.
  65. XXXIII
  66. O penteado.
  67. XXXIV
  68. Sou homem!
  69. XXXV
  70. O protonotario apostolico.
  71. XXXVI
  72. Ideia sem pernas e ideia sem braços.
  73. XXXVII
  74. A alma é cheia de mysterios.
  75. XXXVIII
  76. Que susto, meu Deus!
  77. XXXIX
  78. A vocação.
  79. XL
  80. Uma egua.
  81. XLI
  82. A audiencia secreta.
  83. XLII
  84. Capitú reflectindo.
  85. XLIII
  86. Você tem medo?
  87. XLIV
  88. O primeiro filho.
  89. XLV
  90. Abane a cabeça, leitor.
  91. XLVI
  92. As pazes.
  93. XLVII
  94. «A senhora saiu.»
  95. XLVIII
  96. Juramento do poço.
  97. XLIX
  98. Uma vela aos sabbados.
  99. L
  100. Um meio termo.
  101. LI
  102. Entre luz e fusco.
  103. LII
  104. O velho Padua.
  105. LIII
  106. A caminho!
  107. LIV
  108. Panegyrico de Santa Monica.
  109. LV
  110. Um soneto.
  111. LVI
  112. Um seminarista.
  113. LVII
  114. De preparação.
  115. LVIII
  116. O tratado.
  117. LIX
  118. Convivas de boa memoria.
  119. LX
  120. Querido opusculo!
  121. LXI
  122. A vacca de Homero.
  123. LXII
  124. Uma ponta de Iago.
  125. LXIII
  126. Metades de um sonho.
  127. LXIV
  128. Uma ideia e um escrupulo.
  129. LXV
  130. A dissimulação.
  131. LXVI
  132. Intimidade.
  133. LXVII
  134. Um peccado.
  135. LXVIII
  136. Adiemos a virtude.
  137. LXIX
  138. A missa.
  139. LXX
  140. Depois da missa.
  141. LXXI
  142. Visita de Escobar.
  143. LXXII
  144. Uma reforma dramatica.
  145. LXXIII
  146. O contra-regra.
  147. LXXIV
  148. A presilha.
  149. LXXV
  150. O desespero.
  151. LXXVI
  152. Explicação.
  153. LXXVII
  154. Prazer das dôres velhas.
  155. LXXVIII
  156. Segredo por segredo.
  157. LXXIX
  158. Vamos ao capitulo.
  159. LXXX
  160. Venhamos ao capitulo.
  161. LXXXI
  162. Uma palavra.
  163. LXXXII
  164. O canapé.
  165. LXXXIII
  166. O retrato.
  167. LXXXIV
  168. Chamado.
  169. LXXXV
  170. O defuncto.
  171. LXXXVI
  172. Amai, rapazes!
  173. LXXXVII
  174. A sege.
  175. LXXXVIII
  176. Um pretexto honesto.
  177. LXXXIX
  178. A recusa.
  179. XC
  180. A polemica.
  181. XCI
  182. Achado que consola.
  183. XCII
  184. O diabo não é tão feio como se pinta.
  185. XCIII
  186. Um amigo por um defuncto.
  187. XCIV
  188. Ideias arithmeticas.
  189. XCV
  190. O papa.
  191. XCVI
  192. Um substituto.
  193. XCVII
  194. A saida.
  195. XCVIII
  196. Cinco annos.
  197. XCIX
  198. O filho é a cara do pae.
  199. C
  200. «Tu serás feliz, Bentinho!»
  201. CI
  202. No ceu.
  203. CII
  204. De casada.
  205. CIII
  206. A felicidade tem boa alma.
  207. CIV
  208. As pyramides.
  209. CV
  210. Os braços.
  211. CVI
  212. Dez libras esterlinas.
  213. CVII
  214. Ciumes do mar.
  215. CVIII
  216. Um filho.
  217. CIX
  218. Um filho unico.
  219. CX
  220. Rasgos da infancia.
  221. CXI
  222. Contado depressa.
  223. CXII
  224. As imitações de Ezequiel.
  225. CXIII
  226. Embargos de terceiro.
  227. CXIV
  228. Em que se explica o explicado.
  229. CXV
  230. Duvidas sobre duvidas.
  231. CXVI
  232. Filho do homem.
  233. CXVII
  234. Amigos proximos.
  235. CXVIII
  236. A mão de Sancha.
  237. CXIX
  238. Não faça isso, querida.
  239. CXX
  240. Os autos.
  241. CXXI
  242. A catastrophe.
  243. CXXII
  244. O enterro.
  245. CXXIII
  246. Olhos de ressaca.
  247. CXXIV
  248. O discurso.
  249. CXXV
  250. Uma comparação.
  251. CXXVI
  252. Scismando.
  253. CXXVII
  254. O barbeiro.
  255. CXXVIII
  256. Punhado de successos.
  257. CXXIX
  258. A D. Sancha.
  259. CXXX
  260. Um dia...
  261. CXXXI
  262. Anterior ao anterior.
  263. CXXXII
  264. O debuxo e o colorido.
  265. CXXXIII
  266. Uma ideia.
  267. CXXXIV
  268. O dia de sabbado.
  269. CXXXV
  270. Othello.
  271. CXXXVI
  272. A chicara de café.
  273. CXXXVII
  274. Segundo impulso.
  275. CXXXVIII
  276. Capitú que entra.
  277. CXXXIX
  278. A photographia.
  279. CXL
  280. Volta da egreja.
  281. CXLI
  282. A solução.
  283. CXLII
  284. Uma santa.
  285. CXLIII
  286. O ultimo superlativo.
  287. CXLIV
  288. Uma pergunta tardia.
  289. CXLV
  290. O regresso.
  291. CXLVI
  292. Não houve lepra.
  293. CXLVII
  294. A exposição retrospectiva.
  295. CXLVIII
  296. E bem, e o resto?
  297. FIM
  298. INDICE
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Dom Casmurro

Machado de Assis

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Text von Project Gutenberg

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I

Do titulo.

Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei no trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéo. Comprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando-me versos. A viagem era curta, e os versos póde ser que não fossem inteiramente maus. Succedeu, porém, que como eu estava cançado, fechei os olhos tres ou quatro vezes; tanto bastou para que elle interrompesse a leitura e mettesse os versos no bolso.

—Continue, disse eu accordando.

—Já acabei, murmurou elle.

—São muito bonitos.

Vi-lhe fazer um gesto para tiral-os outra vez do bolso, mas não passou do gesto; estava amuado. No dia seguinte entrou a dizer de mim nomes feios, e acabou alcunhando-me Dom Casmurro. Os visinhos, que não gostam dos meus habitos reclusos e calados, deram curso á alcunha, que afinal pegou. Nem por isso me zanguei. Contei a anecdota aos amigos da cidade, e elles, por graça, chamam-me assim, alguns em bilhetes: «Dom Casmurro, domingo vou jantar com você.»—«Vou para Petropolis, Dom Casmurro; a casa é a mesma da Rhenania; vê se deixas essa caverna do Engenho Novo, e vae lá passar uns quinze dias commigo.»—«Meu caro Dom Casmurro, não cuide que o dispenso do theatro amanhã; venha e dormirá aqui na cidade; dou-lhe camarote, dou-lhe chá, dou-lhe cama; só não lhe dou moça.»

Não consultes diccionarios. Casmurro não está aqui no sentido que elles lhe dão, mas no que lhe poz o vulgo de homem calado e mettido comsigo. Dom veiu por ironia, para attribuir-me fumos de fidalgo. Tudo por estar cochilando! Tambem não achei melhor titulo para a minha narração; se não tiver outro d'aqui até ao fim do livro, vae este mesmo. O meu poeta do trem ficará sabendo que não lhe guardo rancor. E com pequeno esforço, sendo o titulo seu, poderá cuidar que a obra é sua. Ha livros que apenas terão isso dos seus autores; alguns nem tanto.


II

Do livro.

Agora que expliquei o titulo, passo a escrever o livro. Antes disso, porém, digamos os motivos que me põem a penna na mão.

Vivo só, com um creado. A casa em que moro é propria; fil-a construir de proposito, levado de um desejo tão particular que me vexa imprimil-o, mas vá lá. Um dia, ha bastantes annos, lembrou-me reproduzir no Engenho Novo a casa em que me criei na antiga rua de Matacavallos, dando-lhe o mesmo aspecto e economia daquella outra, que desappareceu. Constructor e pintor entenderam bem as indicações que lhes fiz: é o mesmo predio assobradado, tres janellas de frente, varanda ao fundo, as mesmas alcovas e salas. Na principal destas, a pintura do tecto e das paredes é mais ou menos egual, umas grinaldas de flores miudas e grandes passaros que as tomam nos bicos, de espaço a espaço. Nos quatro cantos do tecto as figuras das estações, e ao centro das paredes os medalhões de Cesar, Augusto, Nero e Massinissa, com os nomes por baixo... Não alcanço a razão de taes personagens. Quando fomos para a casa de Matacavallos, já ella estava assim decorada; vinha do decennio anterior. Naturalmente era gosto do tempo metter sabor classico e figuras antigas em pinturas americanas. O mais é tambem analogo e parecido. Tenho chacarinha, flôres, legume, uma casuarina, um poço e lavadouro. Uso louça velha e mobilia velha. Emfim, agora, como outr'ora, ha aqui o mesmo contraste da vida interior, que é pacata, com a exterior, que é ruidosa.

O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida, e restaurar na velhice a adolescencia. Pois, senhor, não consegui recompor o que foi nem o que fui. Em tudo, se o rosto é egual, a physionomia é differente. Se só me faltassem os outros, vá; um homem consola-se mais ou menos das pessoas que perde; mas falto eu mesmo, e esta lacuna é tudo. O que aqui está é, mal comparando, semelhante á pintura que se põe na barba e nos cabellos, e que apenas conserva o habito externo, como se diz nas autopsias; o interno não aguenta tinta. Uma certidão que me desse vinte annos de edade poderia enganar os extranhos, como todos os documentos falsos, mas não a mim. Os amigos que me restam são de data recente; todos os antigos foram estudar a geologia dos campos santos. Quanto ás amigas, algumas datam de quinze annos, outras de menos, e quasi todas creem na mocidade. Duas ou tres fariam crer nella aos outros, mas a lingua que falam obriga muita vez a consultar os diccionarios, e tal frequencia é cançativa.

Entretanto, vida differente não quer dizer vida peor; é outra cousa. A certos respeitos, aquella vida antiga apparece-me despida de muitos encantos que lhe achei; mas é tambem exacto que perdeu muito espinho que a fez molesta, e, de memoria, conservo alguma recordação doce e feiticeira. Em verdade, pouco appareco e menos falo. Distracções raras. O mais do tempo é gasto em hortar, jardinar e ler; como bem e não durmo mal.

Ora, como tudo cança, esta monotonia acabou por exhaurir-me tambem. Quiz variar, e lembrou-me escrever um livro. Jurisprudencia, philosophia e politica acudiram-me, mas não me acudiram as forças necessarias. Depois, pensei em fazer uma Historia dos Suburbios, menos secca que as memorias do padre Luiz Gonçalves dos Santos, relativas á cidade; era obra modesta, mas exigia documentos e datas, como preliminares, tudo arido e longo. Foi então que os bustos pintados nas paredes entraram a falar-me e a dizer-me que, uma vez que elles não alcançavam reconstituir-me os tempos idos, pegasse da penna e contasse alguns. Talvez a narração me désse a illusão, e as sombras viessem perpassar ligeiras, como ao poeta, não o do trem, mas o do Fausto: Ahi vindes outra vez, inquietas sombras...?

Fiquei tão alegre com esta ideia, que ainda agora me treme a penna na mão. Sim, Nero, Augusto, Massinissa, e tu, grande Cesar, que me incitas a fazer os meus commentarios, agradeço-vos o conselho, e vou deitar ao papel as reminiscencias que me vierem vindo. Deste modo, viverei o que vivi, e assentarei a mão para alguma obra de maior tomo. Eia, comecemos a evocação por uma celebre tarde de Novembro, que nunca me esqueceu. Tive outras muitas, melhores, e peores, mas aquella nunca se me apagou do espirito. É o que vás entender, lendo.


III

A denuncia.

Ia a entrar na sala de visitas, quando ouvi proferir o meu nome e escondi-me atraz da porta. A casa era a da rua de Matacavallos, o mez Novembro, o anno é que é um tanto remoto, mas eu não hei de trocar as datas á minha vida só para agradar ás pessoas que não amam historias velhas; o anno era de 1857.

—D. Gloria, a senhora persiste na ideia de metter o nosso Bentinho no seminario? É mais que tempo, e já agora póde haver uma difficuldade.

—Que difficuldade?

—Uma grande difficuldade.

Minha mãe quiz saber o que era. José Dias, depois de alguns instantes de concentrarão, veiu ver se havia alguem no corredor; não deu por mim, voltou e, abafando a voz, disse que a difficuldade estava na casa ao pé, a gente do Padua.

—A gente do Padua?

—Ha algum tempo estou para lhe dizer isto, mas não me atrevia. Não me parece bonito que o nosso Bentinho ande mettido nos cantos com a filha do Tartaruga, e esta é a difficuldade, porque se elles pegam de namoro, a senhora terá muito que lutar para separal-os.

—Não acho. Mettidos nos cantos?

—É um modo de falar. Em segredinhos, sempre juntos. Bentinho quasi que não sae de lá. A pequena é uma desmiolada; o pae faz que não vê; tomara elle que as cousas corressem de maneira, que... Comprehendo o seu gesto; a senhora não crê em taes calculos, parece-lhe que todos têm a alma candida...

—Mas, Sr. José Dias, tenho visto os pequenos brincando, e nunca vi nada que faça desconfiar. Basta a edade; Bentinho mal tem quinze annos. Capitú fez quatorze á semana passada; são dous creançolas. Não se esqueça que foram criados juntos, desde aquella grande enchente, ha dez annos, em que a familia Padua perdeu tanta cousa; d'ahi vieram as nossas relações. Pois eu hei de crer...? Mano Cosme, você que acha?

Tio Cosme respondeu com um «Ora!» que, traduzido em vulgar, queria dizer: «São imaginações do José Dias; os pequenos divertem-se, eu divirto-me; onde está o gamão?»

—Sim, creio que o senhor está enganado.

—Póde ser, minha senhora. Oxalá tenham razão; mas creia que não falei senão depois de muito examinar...

—Em todo caso, vae sendo tempo, interrompeu minha mãe; vou tratar de mettel-o no seminario quanto antes.

—Bem, uma vez que não perdeu a ideia de o fazer padre, tem-se ganho o principal. Bentinho ha de satisfazer os desejos de sua mãe. E depois a egreja brasileira tem altos destinos. Não esqueçamos que um bispo presidiu a Constituinte, e que o padre Feijó governou o imperio...

—Governou como a cara d'elle! atalhou tio Cosme, cedendo a antigos rancores politicos.

—Perdão, doutor, não estou defendendo ninguem, estou citando. O que eu quero é dizer que o clero ainda tem grande papel no Brasil.

—Você o que quer é um capote; ande, vá buscar o gamão. Quanto ao pequeno, se tem de ser padre, realmente é melhor que não comece a dizer missa atraz das portas. Mas, olhe cá, mana Gloria, ha mesmo necessidade de fazel-o padre?

—É promessa, ha de cumprir-se.

—Sei que você fez promessa... mas, uma promessa assim... não sei... Creio que, bem pensado... Você que acha, prima Justina?

—Eu?

—Verdade é que cada um sabe melhor de si, continuou tio Cosme; Deus é que sabe do todos. Comtudo, uma promessa de tantos annos... Mas, que é isso, mana Gloria? Está chorando? Ora esta! Pois isto é cousa de lagrimas?

Minha mãe assoou-se sem responder. Prima Justina creio que se levantou e foi ter com ella. Seguiu-se um alto silencio, durante o qual estive a pique de entrar na sala, mas outra força maior, outra emoção... Não pude ouvir as palavras que tio Cosme entrou a dizer. Prima Justina exhortava: «Prima Gloria! prima Gloria!» José Dias desculpava-se: «Se soubesse, não teria falado, mas falei pela veneração, pela estima, pelo affecto, para cumprir um dever amargo, um dever amarissimo...»


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Dom Casmurro von Machado de Assis. Der Text ist in den USA gemeinfrei, digitalisiert von den Freiwilligen von Project Gutenberg. Wir liefern ihn aus unserer eigenen Kopie aus.

Gesprochen von Leni, Rachel Moraes, Mayah, Dey Andriotti, Jane Nogueira, MarinaFikota, Thiago, Pier, gtavares97, Maria de Fátima da Silva, jessicapmaximo, Isa und Lucas Oliveira für LibriVox, ebenfalls gemeinfrei.

tale.fyi