tale.fyi

Inhalt▾
Inhalt
  1. POR T.A.G.
  2. PRIMEIRA PARTE.
  3. LISBOA:
  4. MARILIA DE DIRCEO.
  5. LYRA I.
  6. LYRA II.
  7. LYRA III.
  8. LYRA IV.
  9. LYRA V.
  10. LYRA VI.
  11. LYRA VII.
  12. LYRA VIII.
  13. LYRA IX.
  14. LYRA X.
  15. LYRA XI.
  16. LYRA XII.
  17. LYRA XIII.
  18. LYRA XIV.
  19. LYRA XV.
  20. LYRA XVI.
  21. LYRA XVII.
  22. LYRA XVIII.
  23. LYRA XIX.
  24. LYRA XX.
  25. LYRA XXI.
  26. LYRA XXII.
  27. LYRA XXIII.
  28. LYRA XXIV.
  29. LYRA XXV.
  30. LYRA XXVI.
  31. LYRA XXVII.
  32. LYRA XXVIII.
  33. LYRA XXIX.
  34. LYRA XXX.
  35. LYRA XXXI.
  36. LYRA XXXII.
  37. LYRA XXXIII.
  38. MARILIA DE DIRCEO.
  39. POR T.A.G.
  40. SEGUNDA PARTE.
  41. LISBOA: 1824.
  42. MARILIA DE DIRCEO
  43. LYRA I.
  44. LYRA II.
  45. LYRA III.
  46. LYRA IV.
  47. LYRA V.
  48. LYRA VI.
  49. LYRA VII.
  50. LYRA VIII.
  51. LYRA IX.
  52. LYRA X.
  53. LYRA XI.
  54. LYRA XII.
  55. LYRA XIII.
  56. LYRA XIV.
  57. LYRA XV.
  58. LYRA XVI.
  59. LYRA XVII.
  60. LYRA XVIII.
  61. LYRA XIX.
  62. LYRA XX.
  63. LYRA XXI.
  64. LYRA XXII.
  65. LYRA XXIII.
  66. LYRA XXIV.
  67. LYRA XXV.
  68. LYRA XXVI.
  69. LYRA XXVII.
  70. LYRA XXVIII.
  71. LYRA XXIX.
  72. LYRA XXX.
  73. LYRA XXXI.
  74. LYRA XXXII.
  75. FIM.
  76. MARILIA DE DIRCEO.
  77. POR
  78. F.A.G.
  79. TERCEIRA PARTE.
  80. LISBOA:
  81. AO LEITOR.
  82. MARILIA DE DIRCEO.
  83. LYRA I.
  84. LYRA II.
  85. LYRA III.
  86. LYRA IV.
  87. LYRA V.
  88. LYRA VI.
  89. LYRA VII.
  90. LYRA VIII.
  91. CANÇÃO.
  92. SONETO I.
  93. SONETO II.
  94. SONETO III.
  95. SONETO IV.
  96. SONETO V.
  97. SONETO VI.
  98. SONETO VII.
  99. SONETO VIII.
  100. SONETO IX.
  101. SONETO X.
  102. SONETO XI.
  103. SONETO XII.
  104. SONETO XIII.
  105. SONETO XIV.
  106. SONETO XV.
  107. SONETO XVI.
  108. ODE.
  109. ODE.
  110. FIM
Deutsch ▾

Marilia de Dirceo

Tomás António Gonzaga

kostenlos · 21.209 Wörter · ~1 Std. Lesezeit

Text von Project Gutenberg

scroll mal ↓weiter ↓

(von vorn beginnen)

POR T.A.G.

PRIMEIRA PARTE.

LISBOA:

Na Typ. de J.F.M. de Campos. 1824.

MARILIA DE DIRCEO.

LYRA I.

Eu, Marilia, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado,
De tosco trato, de expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóes queimado.
Tenho proprio casal, e nelle assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite,
Das brancas ovelhinas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
    Graças, Marilia bella,
    Graças á minha Estrella!

  Eu vi o meu semblante n'uma fonte,
Dos annos inda não está cortado:
Os Pastores, que habitão este monte,
Respeitão o poder do meu cajado.
Com tal destreza toco a sanfoninha,
Que inveja até me tem o proprio Alceste:
Ao som della concerto a voz celeste;
Nem canto letra que não seja minha.
    Graças, Marilia bella,
    Graças á minha Estrella!

  Mas tendo tantos dotes da ventura,
Só aprêço lhes dou, gentil Pastora,
Depois que o teu affecto me segura,
Que queres do que tenho ser Senhora.
He bom, minha Marilia, he bom ser dono
De hum rebanho, que cubra monte, e prado
Porém, gentil Pastora, o teu agrado
Vale mais [~q] h[~u] rebanho, e mais [~q] h[~u] throno.
    Graças, Marilia bella,
    Graças á minha Estrella!

  Os teus olhos espalhão luz divina,
A quem a luz do Sol em vão se atreve:
Papoila, ou rosa delicada, e fina,
Te cobre as faces, que são côr da neve.
Os teus cabellos são huns fios d'ouro;
Teu lindo corpo balsamos vapora.
Ah! não, não fez o Ceo, gentil Pastora,
Para gloria de Amor igual Thesouro.
    Graças, Marilia bella,
    Graças á minha Estrella!

  Leve-me a sementeira muito embora
O rio sobre os campos levantado:
Acabe, acabe a peste matadora,
Sem deixar huma rez, o nedeo gado.
Já destes bens, Marilia, não preciso:
Nem me céga a paixão, que o mundo arrasta,
Para viver feliz, Marilia, basta
Que os olhos movas, e me dês hum riso.
    Graças, Marilia bella,
    Graças á minha Estrella!

  Hirás a divertir-te na floresta,
Sustentada, Marilia, no meu braço;
Aqui descançarei a quente sésta,
Dormindo num leve somno em teu regaço:
Era quanto a luta jogão os Pastores,
E emparelhados correm nas campinas,
Toucarei teus cabellos de boninas,
Nos troncos gravarei os teus louvores.
    Graças, Marilia bella,
    Graças á minha Estrella!

  Depois que nos ferir a mão da Morte
Ou seja neste monte, ou n'outra serra,
Nossos corpos terão, terão a sorte
De consumir os dous a mesma terra.
Na campa, rodeada de cyprestes,
Leráõ estas palavras os Pastores:
"Quem quizer ser feliz nos seus amores,
Siga os exemplos que nos derão estes"
    Graças, Marilia bella,
    Graças á minha Estrella!

LYRA II.

Pintão, Marilia, os Poetas
A hum menino vendado,
Com huma aljava de settas,
Arco empunhado na mão:
Ligeiras azas nos hombros,
O tenro corpo despido;
E de Amor, ou de Cupido
São os nomes que lhe dão.

  Porém eu, Marilia, nego,
Que assim seja Amor; pois elle
Nem he moço, nem he cégo,
Nem settas, nem azas tem,
Ora pois, eu vou formar-lhe
Hum retrato mais perfeito,
Que elle já ferio meu peito;
Por isso o conheço bem.

  Os seus compridos cabellos;
Que sobre as costas ondeão,
São que os de Apollo mais bellos;
Mas de loura côr não são.
Tem a côr da negra noite;
E com o branco do rosto
Fazem, Marilia, hum composto
Da mais formosa união.

  Tem redonda, e lisa testa;
Arqueadas sobrancelhas;
A voz meiga, a vista honesta,
E seus olhos são huns sóes,
Aqui vence Amor ao Ceo,
Que no dia luminoso
O Ceo tem hum Sol formoso,
E o travesso Amor tem dous.

  Na sua face mimosa,
Marilia, estão misturadas
Purpureas folhas de rosa,
Brancas folhas de jasmim.
Dos rubins mais preciosos
Os seus beiços são formados;
Os seus dentes delicados
São pedaços de marfim.

  Mal vi seu rosto perfeito
Dei logo hum suspiro, e elle
Conheceo haver-me feito
Estrago no coração.
Punha em mim os olhos, quando
Entendia eu não olhava:
Vendo que o via, baixava
A modesta vista ao chão.

  Chamei-lhe hum dia formoso;
Elle ouvindo os seus louvores
Com hum modo desdenhoso,
Se surrio, e não fallou.
Pintei-lhe outra vez o estado,
Em que estava esta alma posta;
Não me deo tambem resposta,
Constrangeo-se, e suspirou.

  Conheço os signaes, e logo
Animado da esperança,
Busco dar hum desaffogo
Ao cansado coração.
Pégo em seus dedos nevados,
E querendo dar-lhe hum beijo,
Cubrio-se todo de pejo,
E fugio-me com a mão.

  Tu, Marilia, agora vendo
De Amor o lindo retrato,
Comtigo estarás dizendo,
Que he este o retrato teu.
Sim, Marilia, a copia he tua,
Que Cupido he Deos supposto:
Se ha Cupido he só teu rosto,
Que elle foi quem me venceo.

LYRA III.

De amar, minha Marilia, a formosura
Não se podem livrar humanos peitos.
Adorão os Heróes, e os mesmos brutos
Aos grilhões de Cupido estão sujeitos.
Quem, Marilia, despreza huma belleza,
    A luz da razão precisa,
    E se tem discurso, pisa
A Lei, que lhe ditou a Natureza.

  Cupido entrou no Ceo. O grande Jove
Huma vez se mudou em chuva de ouro:
Outras vezes tomou as varias fórmas
De General de Thebas, velha, e touro,
O proprio Deos da Guerra deshumano
    Não viveo de amor illeso;
    Quiz a Venus, e foi prezo
Na rede, que lhe armou o Deos Vulcano.

  Se amar huma belleza se desculpa
Em quem ao proprio Ceo, e terra move;
Qual he a minha gloria, pois igualo,
Ou excedo no amor ao mesmo Jove?
Amou o Pai dos Deoses Soberano
    Hum semblante peregrino:
    Eu adoro o teu divino,
O teu divino rosto, e sou humano.

LYRA IV.

Marilia, teus olhos
São réos, e culpados,
Que soffra, e que beije
Os ferros pezados
De injusto Senhor.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

Mal vi o teu rosto,
O sangue gelou-se,
A lingoa prendeo-se,
Tremi, e mudou-se
Das faces a côr.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

A vista furtiva,
O risco imperfeito,
Fizerão a chaga,
Que abriste no peito
Mais funda, e maior.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

Dispuz-me a servir-te;
Levava o teu gado
Á fonte mais clara,
Á vargem, e prado
De relva melhor.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

Se vinha da herdade,
Trazia nos ninhos
As aves nascidas,
Abrindo os biquinhos
De fome ou temor.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

Se alguem te louvava
De gosto me enchia;
Mas sempre o ciume
No rosto accendia
Hum vivo calor.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

  Se estavas alegre,
Dirceo se alegrava;
Se estavas sentida,
Dirceo suspirava
Á força da dor.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

  Fallando com Laura,
Marilia dizia;
Surria-se aquella,
E eu conhecia
O erro de amor.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

  Movida, Marilia,
De tanta ternura,
Nos braços me déste,
Da tua fé pura
Hum doce penhor.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

  Tu mesma disseste
Que tudo podia
Mudar de figura;
Mas nunca seria
Teu peito traidor.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

  Tu já te mudaste;
E a Olaia frondoza,
Aonde escreveste
A jura horrorosa,
Tem todo o vigor.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

  Mas eu te desculpo,
Que o fado tyranno
Te obriga a deixar-me;
Pois busca o meu damno
Da sorte, que for.
    Marilia, escuta
    Hum triste Pastor.

deine Stelle wird wiederhergestellt…

der Rest wird geladen…

Als Nächstes lesen

  • HamletWilliam Shakespeare
    Um príncipe fica a saber pelo fantasma do pai que o tio é um assassino, e depois passa a peça a pensar, a gracejar e a adiar. Hamlet é mais afiado e mais engraçado do que a sua fama, e vai reconhecer mais falas do que espera.
  • HelenaMachado de Assis
    O testamento do Conselheiro Vale reconhece uma filha de quem ninguém sabia, e Helena se muda para a casa da família, graciosa e guardando discretamente alguma coisa para si. Estácio, seu novo meio-irmão, se sente atraído por ela; é Machado da primeira fase, de sabor romântico, com um segredo no centro.
  • HúmusRaul Brandão
    Raul Brandão situa-o numa pequena vila sonolenta, de velhas e de rancores mesquinhos, contado como um diário que está sempre a resvalar para o sonho e para perguntas sobre a vida e a morte. Mal tem enredo, e lê-se mais como um poema longo, sombrio e estranho.

—

danke fürs Lesen

Marilia de Dirceo von Tomás António Gonzaga. Der Text ist in den USA gemeinfrei, digitalisiert von den Freiwilligen von Project Gutenberg. Wir liefern ihn aus unserer eigenen Kopie aus.

tale.fyi