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  1. A MÃE
  2. INDICE
  3. PREFÁCIO
  4. PRIMEIRA PARTE
  5. I
  6. II
  7. III
  8. IV
  9. V
  10. VI
  11. VII
  12. VIII
  13. IX
  14. X
  15. XI
  16. XII
  17. NOTAS DE RODAPÉ:
  18. XIII
  19. XIV
  20. XV
  21. XVI
  22. XVII
  23. XVIII
  24. XIX
  25. XX
  26. XXI
  27. XXII
  28. XXIII
  29. XXIV
  30. XXV
  31. XXVI
  32. XXVII
  33. XXVIII
  34. XXIX
  35. XXX
  36. SEGUNDA PARTE
  37. I
  38. II
  39. III
  40. IV
  41. V
  42. VI
  43. NOTAS DE RODAPÉ:
  44. VII
  45. VIII
  46. IX
  47. X
  48. XI
  49. XII
  50. XIV
  51. XV
  52. XVI
  53. NOTAS DE RODAPÉ:
  54. XVII
  55. XVIII
  56. XIX
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  58. XXI
  59. XXII
  60. XXIII
  61. XXIV
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  63. XXVI
  64. XXVII
  65. XXVIII
  66. XXIX
  67. XXX
  68. Notas
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A Mãe

Maksim Gorky

kostenlos · 109.229 Wörter · ~7 Std. Lesezeit

Text von Project Gutenberg

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MAXIMO GORKI


A MÃE

Romance traduzido do manuscripto por S. PERSKY


Versão portugueza de AUGUSTO DE LACERDA


1907


ANTIGA CASA BERTRAND
José Bastos & C.a
73, RUA GARRETT, 75
LISBOA

INDICE

PREFÁCIO
PRIMEIRA PARTE
I XI XXI
II XII XXII
III XIII XXIII
IV XIV XXIV
V XV XXV
VI XVI XXVI
VII XVII XXVII
VIII XVIII XXVIII
IX XIX XXIX
X XX XXX
SEGUNDA PARTE
I XI XXI
II XII XXII
III * XXIII
IV XIV XXIV
V XV XXV
VI XVI XXVI
VII XVII XXVII
VIII XVIII XXVIII
XI XIX XXIX
X XX XXX

PREFÁCIO


A Mãe não é uma obra de pura imaginação. É, antes de tudo, uma pintura exacta—poderia até dizer-se uma vista cinematographica—do movimento revolucionario na Russia. Este bello livro introduz na litteratura russa typos que faltavam n’ella quasi por completo: os revolucionarios operarios e camponezes, cujo papel tem sido tão importante nas ultimas tempestades politicas do paiz dos tsars.

Graças aos escriptores que se teem succedido de Tourguenev a Leão Tolstoi, o revoltado sahido da classe intellectualmente cultivada é mais ou menos conhecido.

Por que motivo não havia ainda um retrato completo do seu irmão oriundo das obscuras camadas do povo? Principalmente porque os revolucionarios d’esta categoria são de recente data.

Prepararam-se durante muito tempo nas mysteriosas profundezas das massas, recrutando-se em silencio, multiplicando-se pouco a pouco, até ao dia em que, na sequencia dos acontecimentos de que a Russia acaba de ser o theatro, os viram surgir de chofre por toda a parte, tanto nas aldeias as mais reconditas da provincia, como nas grandes cidades.

O povo desperta do seu somno secular, como de sobresalto, e este despertar abre uma era nova na historia do movimento da libertação russa. Entre os intellectuaes e os illettrados, até hoje distanciados uns dos outros, forma-se um laço solido, e um mesmo ideal inflamma o exercito dos que marcham á conquista da liberdade.

Descrever esta nova fase da revolução russa, evocar os heroes obscuros que se votaram á grande tarefa da emancipação, analisar nas suas manifestações as mais variadas, e até as mais inesperadas, esta resurreição da consciencia popular,—eis o que Maximo Gorki se propoz nas paginas que ides lêr. Tarefa ardua como poucas, mas de molde a tentar a alma ardente do auctor. Raras vezes Gorki attingiu tal acuidade de observação, uma variedade mais completa no descriptivo, uma tão perfeita certeza d’analyse psichologica. Mais do que nunca, foi o homem identificado com a sua obra. Filho do povo, ascendendo das mais sordidas camadas sociaes, revolucionario unicamente dedicado ao seu puro ideal de justiça (sempre protestou contra a violencia, viesse ella d’onde viesse) Gorki tinha, mais do que outrem, os requisitos para escrever esta pagina tragica da historia contemporanea.

No personagem tão profundamente humano da mãe, Gorki mostra como uma mulher cheia de doçura e de timidez, espancada pelo pae, pelo marido, esmagada impiedosamente pela sorte, immersa na ignorancia e no desbragamento, vae adquirindo pouco a pouco a consciencia da sua misera situação, se alevanta sob a influencia do seu filho, até tornar-se como elle revolucionaria enthusiastica, sacrificando por fim as suas mais queridas affeições, a propria vida mesmo, á causa do povo.

Em torno da mãe e do filho—os dois heroes principaes—agita-se um amontoado de outros personagens. D’uma parte, os amigos: um russo-menor—alma d’abnegação e de commovente simplicidade,—raparigas sacrificando felicidade e riqueza para soffrerem a prisão e as provações de toda a especie; operarios robustos e safados reclamando, com o direito á vida, algumas liberdades; camponezes que, depois de seculos de cega submissão, se recusam finalmente a considerar os representantes das auctoridades como enviados do céo. D’outra parte, os inimigos: officiaes de policia, guardas e espiões, instrumentos doceis do poder. Toda esta gente, tão estranha e tão viva, estas luctas, estes julgamentos, estes martyrios, episodios d’uma guerra cruel e sem clemencia movida contra os apostolos do ideal novo, tudo isto é a realidade, a realidade de hontem, de hoje, de ámanhã, tudo isto existe e existirá, emquanto na Russia durar a lucta libertadora.

De muitas paginas d’este livro emana uma emmoção profunda.

No decurso de uma conversa com os seus companheiros, André, o russo-menor, exclama:

—Que importam os meus soffrimentos, as minhas desgraças! Quando penso em que um dia a patria será livre, o meu coração dilata-se de jubilo... tenho vontade de chorar, tão feliz me sinto!

E quando Pavel diz, falando de um seu amigo desgraçado mas sempre bem disposto d’espirito:

—Sabes? aquelles que mais riem são aquelles cujo coração soffre incessantemente.

Um companheiro responde:

—Qual historia! Se assim fôsse, toda a Russia morreria de riso!


O principe Ouroussof, antigo ministro adjunto do Interior, na Russia, conta nas suas Memorias que a rainha da Rumania, falando-lhe dos escriptores russos contemporaneos, collocava a muito alto a obra de Gorki, que ella conhecia perfeitamente. «Sabe captar a attenção do leitor, declarava ella, e introduziu processos absolutamente novos na litteratura moderna.»

Carmen Sylva alludia provavelmente ao dom que Gorki possue de fascinar o leitor com o poder das scenas que descreve. Taes são, n’este romance, a morte do revolucionario Iégor, a prisão do camponez Rybine, a audiencia do tribunal a que comparecem Pavel e os seus amigos, a scena final em que as mãos dos guardas espancam a pobre mãe. Quantas passagens poderiamos citar ainda! Por exemplo, aquella em que Sophia toca uma symphonia de Grieg. O auctor não diz o nome d’aquelle trecho, mas qualquer musico o reconhecerá immediatamente pela rapida e flagrante descripção que d’elle faz Gorki.


O governo russo entendeu dever apprehender A Mãe em todo o imperio. Poucos dias depois da apparição da obra, a policia fazia buscas em todas as livrarias tanto de S. Petersburgo como da provincia. Chegou muito tarde e só poude apprehender poucos exemplares, por estar já vendida a parte maxima de uma larga edição.

Ao mesmo tempo, as auctoridades entregavam aos tribunaes Gorki e o seu editor, sob a accusação de «excitação á revolta» e de «achincalhamento das coisas santas», crimes que ellas dizem existirem n’este romance. Segundo a lei russa, sob os culpados impende a pena de trez a cinco annos de prisão ou de exilio na Siberia.

Ha trez annos somente, Gorki foi encarcerado na fortaleza de S. Pedro e S. Paulo, por motivos analogos.

A opinião publica sentiu-se abalada em todo o mundo: de todos os paizes civilisados affluiram petições colossaes, reclamando a libertação do mestre. Gorki foi posto em liberdade.

Soffrendo do peito, o auctor da Mãe está desde ha muitos mezes em Capri. Regressará em breve ao seu paiz.

A prisão estará esperando novamente um dos melhores filhos da Russia?


París, novembro, 1907.

S. Persky

A Mãe


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A Mãe von Maksim Gorky. Der Text ist in den USA gemeinfrei, digitalisiert von den Freiwilligen von Project Gutenberg. Wir liefern ihn aus unserer eigenen Kopie aus.

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